imagem: Jia Lu, Illuminated

"EM CADA CORAÇÃO HÁ UMA JANELA PARA OUTROS CORAÇÕES.ELES NÃO ESTÃO SEPARADOS,COMO DOIS CORPOS;MAS,ASSIM COMO DUAS LÂMPADAS QUE NÃO ESTÃO JUNTAS,SUA LUZ SE UNE NUM SÓ FEIXE."

(Jalaluddin Rumi)

A MULHER DESPERTADA PARA SUA DEUSA INTERIOR,CAMINHA SERENAMENTE ENTRE A DOR E AS VERDADES DA ALMA,CONSCIENTE DA META ESTABELECIDA E DA PLENITUDE A SER ALCANÇADA.

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

DO BORDEL ÀS GALERIAS



A trajetória da pintora chinesa Pan Yuliang (1899-1977), do bordel para o qual foi vendida aos 14 anos pelo tio viciado em ópio às galerias em que exibiu telas pós-impressionistas, inspirou um filme (Hua Hun, de 1994, com a atriz Gong Li) e um romance em seu país de origem. Numa sociedade em que as meninas tinham os pés esmigalhados por faixas de pano para que se mantivessem "diminutos como lírios perfeitos" na vida adulta, uma jovem que reproduzia a própria nudez em quadros não poderia passar despercebida.

O mundo ocidental dedicou bem menos atenção a essa história de contornos inusitados, embora tenha sido na França que Yuliang estudou artes plásticas e passou boa parte da vida.

A chinesa também adicionava realidade na criação de sua obra. Após sair do bordel, aos 17 anos, levada por um inspetor do governo de quem se tornaria concubina, Yuliang conseguiu uma vaga na academia de artes de Xangai. Naquele fim dos anos 1910, não era fácil achar modelos dispostas a posarem nuas para os alunos, de forma que a jovem passou a retratar a si própria nos estudos. A ousadia, assim como o talento para levar sentimento às telas, abriria caminho para a continuação do aprendizado na França.

Yuliang não chegou a exercer forte influência sobre outros artistas, embora tenha lecionado arte por anos na China e na Europa. "Seu legado é o da valentia, o de alguém capaz de pegar um passado que para a maioria das pessoas seria doloroso e não apenas triunfar como ilustrar esse triunfo, usando o próprio corpo como matéria-prima, algo desafiador para a época." E que teve consequências -  uma exposição de 1936 impedida pela ação de vândalos, que rasgaram e rabiscaram ofensas nas telas.

 Embora seja conhecida na China de hoje - a obra  Nude By the Window, foi leiloada pela Christie"s por algo em torno de US$ 750 mil -, não faz nem 20 anos que, numa mostra sobre sua carreira, foi preciso retirar nus artísticos após reclamações do público.

Os críticos dizem que suas obras combinam estilos oriental e  de pintura ocidental, e estão cheios de seu próprio espírito.  Ela contribuiu muito para a arte moderna, com sua representação do mundo com dicas de caligrafia chinesa e a pintura.


 Em Paris, ela era conhecida como "Três Não" senhora, o que significa que não tinha  nacionalidade francesa, nenhum amante e nenhum contrato com as galerias. 


 Muitas obras  após a década de 1950 estavam em tinta de cor.  Huang do Museu Anhui diz que Pan não tinha dinheiro suficiente para comprar materiais para pintura a óleo, de modo que ela usou tinta de água relativamente barata.  Às vezes, ela ainda teve que usar o mesmo papel várias vezes.


Mas estas obras não devem ser subestimadas, diz Huang, que acredita que elas são únicas.


 Em seus últimos dias,  toda vez que escreveu uma carta para casa, ela expressou seu desejo de voltar. Mas o governo francês não permitiu que ela levasse as suas obras, enquanto a saúde pobre e a "revolução cultural" (1966-76) na China adiou sua viagem  outra vez. Em 1977, ela morreu em um sótão no subúrbio de Paris, deixando cerca de 4.000 obras de arte para trás.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100306/not_imp520198,0.php

http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&tl=pt&u=http%3A%2F%2Fwww.china.org.cn%2Fenglish%2Fculture%2F223285.htm&anno=2

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